Eleições presidenciais na Síria "são uma farsa", diz secretário da Otan

18/06/2014

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, disse nesta terça-feira (3) que a entidade não reconhecerá o resultado das eleições presidenciais sírias, por considerar que o pleito não cumpre os padrões internacionais de transparência. "São uma farsa", disse Rasmussen sobre as eleições, na chegada para uma reunião dos ministros da Defesa dos países da Otan, nesta terça e amanhã (4), em Bruxelas, na Bélgica.

As eleições sírias "não cumprem os padrões internacionais para eleições livres, justas e transparentes, e estou seguro de que nenhum aliado reconhecerá o resultado dessas chamadas eleições", afirmou o secretário.

Quase 16 milhões, dos 23,6 milhões de sírios, são chamados às urnas nos 9.601 centros de votação dispersos pelo país, dos quais 1.563 são na capital, Damasco.

As eleições são realizadas apenas nas zonas que estão sob controle do governo sírio e não em Al Raqa, no norte do país, província totalmente controlada pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante, grupo radical ligado à Al Qaeda.

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Estas são as primeiras eleições na Síria com mais de um candidato em meio século. Os candidatos são o presidente atual, Bashar al-Assad, no poder desde 2000 (ano em que sucedeu o pai) e que concorre para um terceiro mandato; o deputado da oposição tolerada pelo regime, Maher Abdel Hafez Hayar; e o ex-ministro Hassan Abdallah Al Nuri. Assad já foi visto votando, em um posto no bairro de Al Malaki, na capital, Damasco.

As eleições ocorrem em pleno quarto ano de guerra civil, um conflito que já deixou mais de 162 mil mortos, 2,5 milhões de refugiados e 6 milhões de deslocados dentro da Síria.

Colégios eleitorais

Os colégios eleitorais estarão abertos por 12 horas – das 7h às 19h locais. Cerca de 16 milhões de sírios estão convocados para as urnas. “Os cidadãos sírios se pronunciaram fora da Síria e agora estão fazendo isso dentro do país. Eles vão escolher a pessoa que acreditam ser elegível para ser o presidente nesse momento crítico”, disse o porta-voz da Assembleia Nacional, Jihad Al Laham, em referência às eleições antecipadas realizadas no último sábado (31) para os sírios que não moram no país.

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A estimativa é que 95% da população registrada no estrangeiro para votar tenha comparecido. Ainda assim, os sírios que fugiram do país e atravessaram clandestinamente as fronteiras não foram autorizados a participar das eleições antecipadas e apenas 200 mil dos 3 milhões de refugiados ou expatriados estavam inscritos nas listas eleitorais em mais de 40 embaixadas.

De acordo com o presidente do Comitê de Segurança Nacional e Política Externa, Alaa Eddin Broujerdi, o povo sírio está votando nesta terça-feira livremente e o país não vai aceitar qualquer intervenção estrangeira nos assuntos sírios. O primeiro ministro Wael Al Halqi disse nesta terça-feira, antes do início da votação, que hoje é um dia histórico na vida dos sírios e que o povo é quem vai determinar o futuro do país.

O governo reforçou a segurança para manter a ordem durante a votação e aumentou o número de postos de controle para evitar atos de sabotagem e de “infiltração de terroristas” em Damasco, assim como noutras regiões do centro da Síria.

Estas são as primeiras eleições com mais de um candidato em mais de 50 anos, no país em guerra civil há mais de três anos. Mais de 162 mil pessoas morreram na Síria, entre elas 53.978 civis, desde o início do conflito em março de 2011, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).



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