Depois de Abuso do FBI, Muçulmano Norte-Americano Recebe Mais de 400 Mil Dólares de Indenização

18/02/2015
Um muçulmano americano que foi preso, interrogado e humilhado após os atentados do 11 de setembro de 2001, foi compensado com 415 mil dólares pela detenção de 16 dias sob a lei norte-americana de "testemunha material", depois de longos anos de litígio "limpa" seu nome.
 
 
 
"Ter pessoas me observando – mais após o 11 de setembro – foi um momento realmente difícil pelo qual passei", Abdullah al-Kidd disse ao Los Angeles Times na Arábia Saudita, onde leciona Inglês e treina futebol americano.
 
"Então, eu queria um dia limpar meu nome. É mais ou menos como no futebol. O que quer que acontecesse, eu não iria desistir. Eu queria me justificar."
 
Al-Kidd foi preso injustamente pelo FBI em 2003, no Aeroporto Internacional de Washington Dulles, antes de sua partida para a Arábia Saudita para estudos religiosos e linguísticos.
 
Enquanto esteve preso por 16 dias sem acusações criminais, Al-Kidd foi rotineiramente transportado com algemas e grilhões, mantido nu em uma cela com presos condenados por crimes violentos.
 
Após a sua libertação, o homem muçulmano foi obrigado a entregar seu passaporte, com limite local de viagens para quatro estados americanos.
 
Ele também enfrentou visitas regulares da polícia em sua casa, além de responder a agentes da condicional em Nevada e Idaho, uma vez por mês.
 
"Como parte do acordo dos Estados Unidos com você, por favor, aceite esta carta como um reconhecimento oficial de que você foi preso, em 2003, apenas por ter sido considerado testemunha material em um julgamento criminal de outro indivíduo, e não porque você era suspeito de qualquer prática criminosa", disse o governo em uma carta no último 15 de janeiro.
 
O muçulmano nascido em Kansas frequentou a Universidade de Idaho, em meados da década de 1990, quando se converteu ao Islam.
 
Al-Kidd foi mantido como testemunha material em Idaho, no caso de Sami al-Hussayen, que foi acusado de fraudar vistos e fazer declarações falsas.
 
Al-Kidd, que tinha ajudado uma instituição de caridade islâmica em Idaho com Hussayen, nunca foi chamado para depor no caso.
 
"As pessoas estavam dizendo que eu era um terrorista. Isso realmente machuca. Eu sabia que estava longe de ser isso", lembrou Al-Kidd.
 
 
 
Família destruída
 
O cárcere privado custou ao pai muçulmano de 41 anos de idade, sua família e meios de subsistência, transformando-o em um motorista de táxi que sofre ruptura familiar.
 
"O acontecido colocou muita tensão sobre nós, muitas restrições. E nos levou, posteriormente, a separação", disse Al-Kidd sobre seu casamento.
 
"Uma vez por mês eles entravam e revistavam minha casa. Era um ambiente muito pesado."
 
 
 
 
 
A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês), disse que Kidd foi um dos cerca de 70 homens, quase todos muçulmanos, que foram presos e detidos ao abrigo da lei que obriga as testemunhas a depor perante júris e em julgamentos.
 
Procuradores da ACLU, representando Al-Kidd, argumentaram que a lei só pode ser usada para proteger testemunhas, não como um pretexto para deter e investigar alguém que nunca foi sequer acusado de um crime.
 
Em 2011, a Suprema Corte dos EUA decidiu que o ex-procurador-geral John Ashcroft não pode ser considerado responsável pela detenção injustificada de Al-Kidd após os ataques do 11 de setembro.
 
O tribunal concordou com o atual governo dos EUA que Ashcroft, como primeiro procurador-geral de George Bush, ajudou nas difíceis políticas anti-terrorismo após os ataques do 11 de setembro, tinha imunidade de tais ações.
 
A União Americana pelas Liberdades Civis abriu fogo contra a decisão.
 
"Houve manipulação do governo, e uma supervisão mais judicial teria sido benéfico", disse o advogado de Al-Kidd, Lee Gelernt da ACLU.
 
"A maioria dessas prisões ocorreu em segredo e sem público verdadeiro ou supervisão de mídia".
 
Em 2009, o tribunal decidiu que Ashcroft e o diretor do FBI, Robert Mueller não poderiam ser responsabilizados por um homem paquistanês que disse ter sido abusado enquanto estave preso por mais de um ano em Nova York após os ataques de 11 de setembro.
 
Desde os ataques de 11 de setembro, os muçulmanos norte-americanos, estimados entre 6 e 8 milhões, se queixaram de discriminação e estereótipo na sociedade por causa de seus trajes islâmicos e identidade.
 
Vivendo na Arábia Saudita, Al-Kidd, que mantém sua cidadania americana, disse que está tentando seguir em frente com a nova esposa e família.
 
"Peça por peça", disse ele, "eu estou colocando minha vida no lugar."
 
 
 
Fonte: OnIslam


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