A Mulher e o Islã

 

Sermão do Sheikh Mohamad al Bukai, diretor de Assuntos Religiosos da União Nacional Islâmica

 

Louvado seja Deus, Senhor do Universo, que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre seu Nobre Profeta, sua família, seus companheiros e sobre todos os muçulmanos até o dia do Juízo Final.

Irmãos e irmãs,

Como as aves só podem voar com duas asas e o avião só com elas decolar, a sociedade só pode desenvolver-se também com essas duas estruturas.

Uma das asas é o homem e a outra é a mulher. A dignidade, o respeito e o direito do ser humano, seja homem ou mulher, tiveram início desde a criação do ser humano. E esse respeito vem do céu antes da terra, do Criador antes das criaturas.

Deus diz no Alcorão Sagrado “E, com efeito, honramos os filhos de Adão, e levamo-los por terra e mar, e demo-lhes por sustento as causas benignas, e preferimo-los nitidamente, a muitos dos que criamos”.

E a vontade de Deus era de que essas criaturas não fossem um tipo único, mas sim dividida em pares. Como descrito no Alcorão Sagrado, na surata 51, versículo 49 “e de cada coisa, criamos um casal para meditar-des”.

Todo o sistema do universo é dividido em duas partes, como um casal. Os animais, os objetos inanimados, a eletricidade, o dia e a noite. Em tudo no universo há este sistema de casal: o positivo e o negativo.

E esta divisão não significa que há um melhor ou superior que o outro. Esta divisão é para que cada um complemente o outro. O ser humano precisa da noite assim como precisa do dia. E precisa do positivo tanto quanto do negativo.

Depois desta confirmação divina, da igualdade entre um homem e uma mulher, devemos discutir os direitos da mulher como algo que foi concedido a elas desde o início.

Ao longo da história, as mulheres sofreram preconceitos e violência física e moral. Na época pré-islâmica, havia vários costumes agressivos em relação às mulheres. Com a revelação do Alcorão, essas práticas foram abolidas. O Alcorão nos informa que, naquela época, quando o homem sabia, no momento em que sua esposa dava à luz, que o bebê era menina, não ficava satisfeito. Na surata 16, versículos 58 e 59 diz: “E, quando a um deles se lhe alvissara o nascimento de uma filha, torna-se-lhe a face enegrecida, enquanto fica angustiado. Esconde-se do povo, por causa do mal que se lhe alvissarou. Retê-lo-á, com humilhação, ou soterrá-lo-á no pó? Ora, que vil o que julgam!”

E para corrigir também este erro, o Profeta (SAAS) diz que se Allah concede a seu servo uma menina, é para que cuide bem dela, educando e ensinando, e isso o protegerá do castigo do inferno.

Assim, o que antes era um motivo de vergonha e humilhação, desde a revelação seria razão de agradecimento, felicidade e o caminho para o paraíso. Essas orientações são passadas em todas as fases, desde quando a mulher nasce e quando torna-se adolescente e adulta, sobre a obrigação dela adquirir conhecimento.

O Profeta diz (SAAS) que buscar o conhecimento é uma obrigação de cada muçulmana e muçulmano.

Quando torna-se esposa, as orientações do Profeta (SAAS) também estão presentes, quando ele diz que “o melhor entre vocês é o melhor para sua esposa”.

Quando a mulher vira mãe, seus direitos são ainda mais valorosos. O Profeta (SAAS) diz que o paraíso se encontra sobre os pés das mães, ou seja: aquele que cumpre suas obrigações com Deus e que respeita a mãe, entrará no paraíso.

Em outro dito, relatado por Bukhari, um homem aproxima-se do profeta e pergunta qual pessoa deveria receber o maior respeito do mundo? O Profeta diz que é a mãe dele. O homem então perguntou quem viria a seguir recebendo o mesmo respeito? O profeta diz a mesma resposta. O homem torna a repetir a pergunta, querendo saber quem viria em seguida, e o profeta novamente respondeu “sua mãe”. O homem, pela quarta vez, perguntou quem deveria vir a seguir, sendo que desta vez o Profeta responde que neste lugar viria o pai dele.

Então, a medalha de ouro vai para a mãe. A medalha de prata vai para a mãe. A medalha de bronze vai para a mãe e o pai, talvez, receba um prêmio de consolação.

E quando a mulher é idosa o valor dela é ainda maior. O respeito por ela é muito maior. Ela tem obrigação sobre a família, marido, filhos. Não pode ser abandonada ou colocada num asilo, mas sim receber o cuidado necessário em seus lares familiares.

Deus diz no Alcorão Sagrado, na surata 17, versículos 23 e 24: “E teu Senhor decretou que não adorei senão a Ele; decretou benevolência para com os pais. Se um deles ou ambos atingem a velhice, junto de ti, não lhes digas: “Ufa!”, nem os maltratates, e dize-lhes dito nobre”. E baixa a ambos a asa da humildade, por misericórdia. E dize: “Senhor meu! Tem misericórdia deles como quando eles cuidaram de mim enquanto pequenino”. Nesta mensagem, destaca-se a importância de que estejam “junto de ti”, e que não lhes digas “Ufa!”, como expressão de intolerância ou impaciência, mas que os tratem de maneira nobre.

Queridos irmãos e irmãs, vivemos em dias de violência familiar. Mulheres são maltratadas dentro de seus próprios lares, vítimas da violência que mata centenas por dia. Isso não resolve apenas com a legislação mais rígida, mas também com a educação religiosa. Quando o ser humano é educado a considerar o respeito às mulheres como uma ordem divina, quando ele respeita a mulher, ele passa a respeitar a mãe dele, a irmã dele, a esposa dele, a filha dele. Antigamente os sábios diziam “ensina aos seus filhos o Alcorão e o Alcorão ensinará aos seus filhos tudo”.

Pedimos que Allah nos ajude para colocar que o que nós aprendemos na prática, pois ele é generoso e misericordioso.



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