O sacrifício de Abraão

 

 

Por Sheikh Mohamad Al Bukai
 
Louvado seja Deus, Senhor do Universo, que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre seu Nobre Profeta, sua família, seus companheiros e sobre todos os muçulmanos até o dia do Juízo Final. 
Irmãos e irmãs na fé, espero que a cada ano que se passa todos estejam em paz e peço a Allah para que os abençoe e que essas bênçãos alcancem a nossa nação islâmica, nos agraciando com a vitória, a dignidade e a ascensão em todos os aspectos da vida.
 
Esta data nos leva a essa celebração e uma das mais belas da história da humanidade e que nos ensina uma profunda lição, especialmente para os crentes e para os que buscam o bem para a sua comunidade.
Fazemos menção a essa história ano após ano, neste mesmo dia, de forma incansável. A data de hoje foi instituída com o nome de "festejos ou celebração do sacrifício" simbolizando o próprio ato de sacrifício e a total submissão e entrega a um propósito, nos remetendo à história de uma família muçulmana que entregou o seu destino incondicionalmente e diretamente nas mãos de Deus.
 
As palavras de ordem que levaram essa família a essa submissão foram:
1 – Deus é o procurador de todos.
2 – a aceitação do destino que Deus reserva para cada um.
3 – ter a paciência necessária para suportar o martírio sem questionar os propósitos de Deus.
 
Os fatos referentes a essa história começaram com o profeta de Deus, Ibrahim al Khalil – que quer dizer “Abraão, o companheiro de Deus – que a paz esteja com ele.
Deus o escolheu para ser o Iman de toda a humanidade,vem outras palavras, o nosso condutor para a senda reta. Disse o Altíssimo: “Designar-te-ei Iman dos homens”. (Alcorão, 2:124).
Logo no início de sua juventude, Abraão destruiu as estátuas que eram idolatradas no lugar de Deus, o Único. Por esta atitude, os líderes da comunidade o julgaram e o condenaram a morrer queimado na fogueira; começa aqui o primeiro sacrifício de Abraão, que arriscou sua própria vida para defender sua religião e sua crença.
 
Deus o salvou desta calamidade ordenando para que a fogueira o tocasse dando-lhe a sensação de frescor e paz. Muito tempo depois, ao atingir a velhice, Deus lhe proporcionou a dádiva de uma esposa que logo gerou seu primeiro filho. Logo em seguida, Abraão recebeu a ordem de Deus para deixar a sua esposa Hejar (Hagar) e seu único filho na época, ainda lactante, em um local inóspito e desértico da nobre cidade de Meca. Abraão cumpriu a ordem sem questionar e sem se preocupar e temer pelo destino dos dois, fazendo desse ato o seu segundo sacrifício.
Após alguns anos, Abraão recebeu a terceira e maior de todas as suas provações, não a ordem de sacrificar a si próprio, de sacrificar seu filho. Mais uma vez, Abraão superou a provação ao se apressar em cumprir a ordem de Deus, o Louvado, o Altíssimo.
 
Abraão não estava só ao cumprir as ordens de Deus, sua esposa Hagar estava ao seu lado passando pelas mesmas provações e se dispondo de igual forma a fazer os sacrifícios solicitados por Deus, como na ocasião em que Abraão a levou junto de seu filho, Ismael, para Meca, Hagar pediu a Abraão que os deixassem lá e, dessa forma, declarou sua certeza de que Deus não os desampararia. Hagar deixou um exemplo para todas as mulheres crentes no que se referente à paciência, fé, coragem e sacrifício.
Ismael, educado em ambiente onde os conceitos de fé e sacrifício eram bem claros, não se esquivou diante da ordem de Deus para que ele fosse imolado por seu pai e disse a Abraão: “cumpra a ordem de Deus, eu estarei entre os pacientes”.
Irmãos e irmãs da nação islâmica, se observarmos todos os passos e rituais dos milhões de peregrinos, durante a peregrinação a Meca, todos os anos, o HAJJ, constataremos que quase tudo está relacionado a diversos momentos da vida de Abraão e sua família. A peregrinação é a perpetuação da memória de vida dessa família que jamais se esquivou diante de uma ordem de Deus, sempre disposta ao sacrifício com todos os meios ao seu alcance, almejando somente a proximidade de Deus, o Altíssimo, e, assim, alcançar as Suas bênçãos.
 
Devido aos fatos narrados aqui, realizamos essa celebração que simboliza a vitória sobre o demônio por meio do cumprimento fiel das ordens de Deus; expressamos neste dia nossa imensa alegria por essa vitória.
E nós, irmãos e irmãs? Com o que temos nos sacrificamos por nossa religião e por nossa fé para que sintamos essa mesma alegria em nossas vidas de forma particular?
O sacrifício é o caminho e a trilha para todos aqueles que querem alcançar uma distinta posição aos olhos de Deus nesta vida terrena e na outra, depois da morte carnal. Foi esse o caminho seguido pelos profetas durante suas missões na Terra, pelos mártires, ascetas, os heróis magnânimos, sábios e todas as pessoas comuns que buscaram o conhecimento que nos leva a Deus. Assim, todos eles alcançaram a coragem que os levou à glória.
 
Não existe na Terra um homem ou uma mulher que tenha alcançado uma distinta posição sem que tenha feito um grande sacrifício. Enquanto a maioria das pessoas está entretida com questões mundanas, buscando apenas por prazeres, encontramos poucas delas envolvidas e dedicadas aos livros, aos estudos, pesquisas e ao desenvolvimento da sua sociedade em geral. Essas poucas pessoas estão dedicando o tempo de suas vidas para atingir suas nobres metas e propósitos.
Irmãos e irmãs crentes, há diversas maneiras para concretizarmos o sacrifício; podemos fazê-lo com o uso do dinheiro, despendendo-o em causas justas e caridades; por meio de trabalhos voluntários e dedicando o máximo de tempo possível a esta nobre causa; com o desapego às coisas supérfluas; e por meio do nosso desapego às questões mundanas, renunciando aos nossos prazeres e ao bem-estar quando necessário ou quando solicitado por Deus.
 
Neste dia abençoado, dia da celebração do sacrifício, vamos pensar nos sacrifícios que poderemos fazer em beneficio e ascensão de nossa religião e nossa nação.
 
Nossa religião cresceu e se desenvolveu às custas dos sacrifícios de homens e mulheres que não pouparam seus bens e patrimônios, valiosos ou não, suas vidas e o que lhes poderia ser mais valiosos. Esses atos têm de continuar se repetindo entre nós e com tudo o que possuímos, sejam bens materiais ou não.
 
Peço a Deus, o Altíssimo, que nos recompense neste dia com a paz, a tranquilidade e as bênçãos.
 


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