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A justiça de Deus

17/06/2010



Por Sheikh Jihad Hassan

Deus criou o ser humano, deu-lhe inteligência, habilidades, em suma, colocou o mundo à sua disposição. Mas para que alguém alcance a felicidade real, é necessário que acolha o seu Criador, atingindo, desta forma, o melhor da matéria e da alma. Deus diz no Alcorão: “Em verdade enobrecemos o ser humano”. Assim, a chave para a paz interior, nesta vida e na próxima, é reconhecer a Deus e obedecê-Lo. Pois Ele que nos criou sabe como devemos nos comportar e nos relacionar para que cada um de nós garanta todos os direitos imprescindíveis a uma vida plena e justa.

Entre esses direitos, podemos citar, por exemplo, o direito à riqueza de fonte lícita – o que inclui usufruir dela sem que um terceiro a tire indevidamente –, o direito a um trabalho digno, e, principalmente, o direito a uma vida segura, para si, sua família e toda a sociedade, sem medo que alguém a ameace. Infelizmente, o direito de ir e vir em segurança nos faz muita falta nos dias de hoje. Justamente por isso, Deus estabeleceu limites para cada indivíduo, ordenando que todos os respeitassem e garantindo recompensas para aqueles que são corretos e justos. Agora, aqueles que não agem corretamente terão de arcar com as conseqüências dos seus atos perante as leis divinas.

Quando analisamos as leis estabelecidas pelos homens, verificamos o quanto são incompletas e falhas, necessitando freqüentemente de atualizações. O que não acontece com as leis divinas. Quando Deus estabelece uma recompensa por algo, Ele a multiplica como uma forma de incentivo e motivação para que a pessoa melhore ainda mais. Agora, quando Ele estabelece uma punição por algum erro cometido, Ele é justo e pune na mesma medida do crime cometido.

Deus diz no Alcorão: “E quem fizer o bem do peso de um átomo verá o bem, e quem fizer o mal do peso de um átomo verá o mal”. Eis o porquê das penas divinas serem brandas de acordo com crimes leves, e severas com crimes graves. Deus diz: “Ô conscientes, vocês têm vida na pena da retaliação”. O que isso significa? Simplesmente que, quando vêem que a lei é aplicada de acordo, outras pessoas deixam de lado qualquer intenção de cometer algum crime, pois sabem que haverá uma punição rigorosa e justa.

Porém, quando há injustiça social num governo, a pena de morte não pode ser aplicada até que seja restabelecida a justiça. É preciso, sempre, haver um julgamento claro e imparcial. Num governo islâmico, a pena capital só acontece após um longo processo em que devem constar provas concretas e que só termina com a confissão do réu, que tem pleno direito à defesa. Caso seja considerado culpado, aí, sim, põe-se em prática o castigo proporcional ao crime cometido. E o rigor da pena acompanha a gravidade do ato.

Entretanto, é preciso compreendermos que, ao estabelecer leis severas, Deus não está de forma alguma com sede de sangue. Pelo contrário, Seu objetivo é fazer com que os mal-intencionados não se sintam impunes e se afastem das más ações. A justiça de Deus é infalível e soberana, e Ele recompensa a todos os homens honestos, dando-lhes o que nunca encontrarão aqueles que enveredam no crime.



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